Como conversar com um fascista - Marcia Tiburi - Capítulo 27
27. Histeria de massas
Não é preciso conhecer teorias políticas sofisticadas ou compreender os discursos complicados de intelectuais para poder ser um cidadão que se expressa com coerência em termos de política. Digo isso pensando em como pessoas de um modo geral têm se expressado muito mal sobre questões muito sérias. Não creio que as pessoas possam ser tão fascistas quando estão sozinhas, comparado ao modo como se expressam quando estão em massa. O que autoriza cidadãos comuns a expressarem um ódio que, a meu ver, não é realmente e profundamente seu? Me pergunto sobre a criação da histeria de massas que levou a uma marcha como a do dia 15 de março de 2015. Evidentemente as pessoas foram capturadas no que elas mesmas conhecem de ódio e ressentimento. É fácil capturar o ressentimento, assim como é fácil capturar o desejo de felicidade, de amor, de sucesso. A publicidade sabe disso. A televisão, como aparelho que age na lógica publicitária usa o ressentimento e o ódio como estratégia de movimentação das massas.
É fácil se deixar levar por oportunistas e embusteiros políticos que com palavras fáceis ganham a adesão do povo, colocando-o em estado de histeria coletiva. Mas por que resistir não é, para muitos, uma opção?
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