Como conversar com um fascista - Marcia Tiburi - Capítulo 37
37. Toda mulher é "estuprável" ou o sexo é apenas lógico No caso da história contada anteriormente, a moça não foi estuprada por Gervais, mas era considerada por ele "estuprável". Foi para a fogueira porque se recusou ao sexo, mas também porque julgou o sexo que era dela demandado como algo que a prejudicaria. Porém, o estupro potencial que podemos ver neste caso não era visto por Gervais como um estupro. Era, segundo sua lógica de estuprador, apenas seu "direito". O sexo nele implicado não era considerado algo hediondo e diabólico. Por um mecanismo projetivo pelo qual ela deveria ceder a um homem "irresistível", o próprio estupro era, naquele contexto, apenas uma espécie de sexo "lógico" na cabeça autoritária do estuprador. Não um estupro, porque estupro é um nome feio demais com o qual o estuprador não quer ser designado. O crime de Gervais não era, para ele, um crime. E por que não era um crime? Ora, simplesmente porque era ele - e ...